Trechos do livro

veja também: o sumário, a introdução e alguns dos exercícios

 

 

“O propósito deste trabalho é o de fortalecer um movimento mais amplo de pessoas que, ao longo das gerações, nos mais diversos países, buscam ativar nosso poder de criar uma realidade na qual todos tenham a oportunidade de encontrar a verdadeira felicidade. Minha intenção é que a leitura deste livro possa inspirar quem o lê a reconhecer seu poder de manifestar propósitos e sonhos compartilhados onde estiver.”

 

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“Hannah Arendt afirmou que “a História é uma história que tem muitos começos, porém nunca tem um fim”. Este livro trata da possibilidade de encontrarmos novos começos a partir de nós mesmos, em cada circunstância, com os recursos que estiverem ao nosso alcance. Trata de como a vida pode ser vista como uma história sem fim, que possui infinitos pontos de partida, ou como uma grande obra de arte, da qual somos todos cocriadores. Portanto, o que é realmente importante não é a história aqui contada, mas sim a maneira como quem a lê interpreta a si mesmo(a) como protagonista de sua própria jornada.”

 

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“Não importa quais são os recursos materiais, relacionais, cognitivos e de tempo que estejam ao seu alcance. Não importa se você gostaria de atuar ou se já atua por dentro ou por fora das estruturas tradicionais da política. O que importa é que você tenha curiosidade para conhecer outras maneiras de ver o mundo e disponibilidade para expandir a percepção sobre si mesma(o) na relação com seus contextos de vida. Você tem abertura para entrar em contato com algo desconhecido?”

 

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“Reinventar a nós mesmos é a tarefa primordial, porque nós mesmos somos o recurso básico que temos à disposição para fazer qualquer coisa. Isto pode soar como ridiculamente óbvio. Mas o fato é que as transformações ocorrem primeiramente no âmbito das nossas consciências. Considere o fim da escravidão, o fim da colonização, o direito ao voto feminino: o ponto de partida dessas transformações foram alguns poucos que assumiram o que era óbvio, em alto e bom som, muitas vezes à custa de suas próprias vidas.”

 

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“Certa vez, ouvi dizer que em diversas aldeias indígenas o pajé, além de sua conhecida função de curandeiro, também exerce um papel político fundamental. Cabe a ele observar e sentir a tribo, com sua atenção voltada às dinâmicas sutis do mundo espiritual e da vida nas profundezas da floresta, para então traduzir ao cacique o que está além do alcance de sua visão mais central, pragmática e concreta. É a escuta das percepções do pajé que possibilita ao cacique fazer escolhas que contemplem as necessidades de seu povo.

Nossos povos ancestrais sabem que a pessoa que ocupa um centro de poder, por mais empenhada que esteja em servir ao coletivo, pode facilmente deixar passar despercebidas informações importantes sobre as dinâmicas sociais em que está imersa. É nas bordas da sociedade que acontecem as dinâmicas que dão mais sentido à vida, e o bem-estar de todos é fruto de fluxos vitais e informações que circulam das bordas ao centro e do centro às bordas.

Como podemos integrar essa sabedoria milenar à nossa complexa sociedade contemporânea?”

 

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“Aqueles que investem seriamente na renovação democrática sabem que nas bordas das bordas estão os indivíduos, e neles – ou melhor, em nós – está contido o ponto de partida mais elementar e mais potente para que os muros sejam transpostos por práticas que revertam a entropia do sistema político. E, se queremos que a vida atravesse as nossas barreiras e transforme nossos desertos em jardins, quem melhor do que a natureza para nos indicar os caminhos?”

 

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“Aprendi que uma outra qualidade de presença pode transbordar, como num fluxo, por todas as minhas relações. É como uma flauta que foi limpa por dentro para ressoar em harmonia com sua orquestra. Há um campo vasto a ser descoberto em qualquer instante, em qualquer encontro. E, com essa nova visão, passei a enxergar a lei de que “não há espaços vazios no poder” apenas como uma distração, um dos tijolos em nosso inconsciente, amalgamados pelo medo, que bloqueiam os fluxos da vida.”

 

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“Quanto maior nossa presença no agora, maiores as possibilidades de que as forças do futuro e do passado possam agir através de nós. Essa presença, na política, se manifesta em nossos vínculos, em nossas relações. Essa compreensão nos ajuda a enxergar que um caminho mais potente do que dispersar nossas energias emitindo opiniões em debates sem fim para convencer multidões do que acreditamos ser certo é darmos alguns passos para dentro. Para dentro dos vínculos que estabelecemos e para dentro de nós mesmos, onde podem ser encontrados espaços vazios. A cada passo que damos para dentro, ganhamos novos impulsos para agir fora. E, quanto mais integrados se tornam os movimentos internos e externos, mais fácil é reconhecer que, quando eu danço com o mundo, o mundo dança comigo.”

 

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“Vimos que um espaço de confiança não é isento de tensões, muito pelo contrário. A confiança é o que torna possível que as tensões presentes nas situações que desejamos transformar sejam trazidas à consciência de maneira compartilhada, para que possamos sair da condição de reféns das tensões e integrá-las como uma energia criativa.

Aí está a principal diferença que percebo nos vínculos de autêntica confiança: neles há espaço para que possamos apreciar as nossas certezas e incertezas, nossas luzes e sombras, nossos limites e possibilidades, nosso ego e nossa alma, compreendendo que os atributos que nos parecem antagônicos são, de fato, recursos que temos à disposição para agir no mundo. A confiança autêntica é aquela que nos acolhe por inteiro e, portanto, sustenta a nossa integridade e nos ajuda a criar espaços para transbordarmos nosso ser político no mundo.

Qual seria então o recurso principal que nós temos para tecer esses vínculos de confiança em que podemos cultivar o que há de melhor em nós?”

 

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“O sonho é como a música da orquestra: dá sentido para que cada instrumento individualmente se expresse como parte de um todo. Cada música, ainda que imaterial, é absolutamente real. Ela tem seu ritmo, seu tempo, seus tons, e para ela, cada instrumento, cada músico, cada pessoa do público e até mesmo o teatro, todos formam um mesmo fenômeno. Cada componente traz sua presença para que algo que faz sentido para todos possa se expressar.

Assim como existe o “eu músico” em cada pessoa numa orquestra, na ação conjunta existe o “eu sonhador”, a parte de nós que se maravilha com a possibilidade de realizarmos uma ação conjunta que transforma o mundo. Cada gesto que fazemos a serviço do sonho é o próprio sonho que se materializa. Como podemos então resgatar e fortalecer a parte de nós que sonha?”

 

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“Muitas vezes vi pessoas desprezarem a esperança em nome do realismo. Em contraponto, tenho argumentado que essa postura confunde realismo com cinismo. Ser realista é ter os pés no chão para lidar com o mundo tal como se apresenta, enquanto ser cínico (segundo o uso atual mais comum da palavra, e não o sentido grego original) é ter indiferença para com nossos sentimentos, desprezar a bondade e a sinceridade humana e o que podemos fazer com essas virtudes. A atitude cínica, portanto, não vê possibilidade de escolha além das que já estão dadas, enquanto o realismo necessariamente irá reconhecer que uma boa parte do que existe a nossa volta que nos faz bem foi um dia criado por alguém. É realista, portanto, pensarmos que podemos escolher o que ainda não existe, como já ouvi Marina Silva enfatizar em diversos discursos.”

 

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“Quando encontro pessoas com quem partilho sonhos conjuntos, percebo que é formado um campo de ressonância em que reconhecemos que não somos separados. O mesmo acontece quando levamos nossa atenção para as dores sentidas pelo outro; independentemente de ele as estar expressando ou não, elas podem ser sentidas. Quando reconhecemos uma criança ferida por trás da máscara de um adulto, é impossível não sentir compaixão por aquela pessoa. É assim que atravessamos nossos muros: entrando em ressonância com a humanidade que não se vê apenas nas aparências.

Imaginemos então o que pode acontecer com uma pessoa que consegue tecer vínculos verdadeiros que atravessem nossos muros? E o que acontecerá se muitas pessoas desenvolverem essa habilidade?”

 

veja também: o sumário, a introdução e alguns dos exercícios

 

 

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